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Spitz Alemão

Spitz alemão: as variedades de porte médio e grande que quase ninguém conhece no Brasil

Silo: Raças

Por Fabiano Carvalho
Atualizado em 06 de agosto de 2026 · 7 min de leitura

Spitz Alemão
Carteirinha da raçaSpitz Alemão
PorteMédio a grande, conforme a variedade (mittelspitz, grossspitz ou wolfsspitz)
Peso11 a 20kg (mittelspitz na faixa baixa, wolfsspitz na alta)
Expectativa de vida12 a 15 anos
TemperamentoVivaz, alerta, muito ligado à família, late para avisar
Energia
Facilidade de cuidado

Se você digitou “spitz alemão” procurando informação sobre aquele cão de colo, todo peludo, que cabe numa bolsa, o resultado provavelmente descreveu a lulu da pomerânia — e não estava errado. Só estava incompleto. “Spitz alemão” é o nome de uma raça inteira, com cinco tamanhos oficiais no padrão da FCI, e a lulu é o menor deles. O maior passa dos 20kg e tem cara de lobo.

Cinco tamanhos, uma raça só

O padrão FCI nº 97 trata o spitz alemão como uma raça única, dividida por altura na cernelha e, em alguns casos, por cor obrigatória:

Variedade Altura na cernelha Peso aproximado
Wolfsspitz (keeshond) 43 a 55cm 15 a 20kg
Grossspitz (grande) 42 a 50cm 17 a 18kg
Mittelspitz (médio) 30 a 40cm cerca de 11kg
Kleinspitz (pequeno) 24 a 30cm 8 a 10kg
Zwergspitz (lulu da pomerânia) 18 a 22cm 1,9 a 3,5kg

Todas compartilham a mesma assinatura visual: focinho de raposa, orelha triangular pequena e ereta, cauda plumada enrolada por cima do dorso e uma pelagem dupla que faz o cão parecer um terço maior do que é. O que muda entre elas é a escala, não o projeto. No Brasil, porém, o mercado de filhote se concentrou quase todo na variedade anã — e por isso o nome do grupo acabou virando apelido dela.

Este artigo é sobre as outras: o mittelspitz e o wolfsspitz, os primos maiores que ninguém confunde com cão de bolsa.

Wolfsspitz adulto de perfil, com a juba de pelo no pescoço e a marcação escura ao redor do olho
Foto: Fez Brook / Pexels

Wolfsspitz ou keeshond: depende do país que registrou

A variedade maior tem dois nomes conforme quem faz o registro. Para a FCI e para os alemães, é wolfsspitz — literalmente “spitz-lobo”, em referência à pelagem cinza com pontas pretas, a única cor aceita nessa variedade. Para o AKC americano e o Kennel Club britânico, o mesmo cão é uma raça independente chamada keeshond, nome holandês que vem de “Kees”, apelido do líder político Cornelis de Gyselaer, cujo partido adotou o cão como símbolo no século 18.

A marca registrada dessa variedade está no rosto: uma linha escura fina que sai do canto externo de cada olho em direção à orelha, somada a sobrancelhas claras. Os criadores chamam isso de “óculos”, e é um item avaliado em exposição — sem os óculos, o wolfsspitz perde ponto no padrão.

O mesmo temperamento, com consequência diferente

O spitz alemão nunca foi cão de pastoreio nem de caça. A função histórica dele era guardar propriedade rural e barcaça: ficar em cima do terreno e avisar com a voz quando alguém se aproximava. Isso produziu um cão vivaz, atento a tudo, extremamente ligado à família e desconfiado com estranho até ser apresentado — e que late.

O latido é o ponto que separa a experiência de ter um mittelspitz da de ter uma lulu. Não é que o médio late mais; é que ele late mais grave, mais alto e atravessa parede de apartamento com facilidade que o cão de 3kg não tem. O treino que funciona não é o de proibir o latido, e sim o de encerrá-lo: deixar o cão avisar duas ou três vezes e então cobrar o comando de silêncio, recompensando o silêncio, não o alerta.

Com a família, o padrão é de apego intenso e nenhuma agressividade — é um cão que segue o tutor de cômodo em cômodo e reclama quando fica sozinho tempo demais. Ansiedade de separação é queixa comum na raça, e piora quando o cão passa o dia sem nada para fazer.

Spitz alemão branco-creme em pé num campo, mostrando a cauda plumada enrolada sobre o dorso
Foto: Vladimir Srajber / Pexels

Pelagem dupla numa escala maior

A estrutura do pelo é idêntica à das variedades pequenas — subpelo denso, tipo algodão, coberto por pelo de guarda longo e reto — mas a quantidade acompanha o tamanho do cão. Um wolfsspitz de 18kg carrega volume de pelo que um lulu não tem como produzir, e isso muda a rotina de casa.

Uma a duas vezes por ano o cão passa pelo que os criadores chamam de “blowing coat”: o subpelo se solta inteiro em tufos, ao longo de duas a quatro semanas. Nesse período a escovação é diária, com rastelo de subpelo, e mesmo assim sobra pelo pela casa. Fora da troca, duas a três escovações semanais mantêm o pelo desembaraçado.

A tosa rente continua fora de questão, exatamente como nas variedades pequenas. Raspar a pelagem dupla remove a camada que isola o cão do calor e do frio, e não há garantia de que o subpelo volte a crescer com a mesma textura. Aparar pata, franja e região íntima é rotina segura; o resto é escova.

Saúde: uma lista diferente da das raças toy

O spitz alemão de porte médio e grande é considerado robusto, e boa parte dos problemas que assombram cão miniatura simplesmente não aparece aqui na mesma frequência. O que precisa de atenção é outro conjunto:

  • Hiperparatireoidismo primário (PHPT) — condição hereditária concentrada no wolfsspitz/keeshond, em que a paratireoide produz hormônio em excesso e o cálcio no sangue sobe; aparece em geral depois dos 6 anos, com sede e urina aumentadas. Existe teste de DNA para reprodutores, e é a primeira pergunta a fazer ao criador.
  • Displasia coxofemoral — risco de raça de porte médio a grande; avaliação radiográfica dos pais e controle de peso desde filhote reduzem a chance.
  • Luxação de patela — mais comum nas variedades menores, mas presente também no mittelspitz; joelho que sai do lugar e faz o cão engatar a passada por alguns passos.
  • Epilepsia idiopática — descrita com frequência acima da média na raça; crise convulsiva sem causa aparente merece investigação neurológica, não observação em casa.
  • Entrópio — pálpebra que vira para dentro e faz o pelo raspar na córnea; lacrimejamento persistente e cão apertando um olho só são o sinal.

A expectativa de vida fica entre 12 e 15 anos — boa para o porte, e um dos motivos pelos quais o custo de saúde da raça se dilui ao longo do tempo em vez de se concentrar em crises precoces.

Espaço em casa: o canto importa mais que o metro quadrado

Este não é um cão de energia extrema. Uma caminhada diária consistente de 30 a 45 minutos, mais brincadeira de raciocínio dentro de casa, dá conta do gasto de um mittelspitz ou de um wolfsspitz adulto — é bem menos do que pede um husky ou um border collie de porte parecido.

O que ele cobra é outra coisa: um lugar próprio, fresco e de onde consiga enxergar a movimentação da casa. Cão de guarda de propriedade quer ficar de olho, e um spitz de pelagem densa evita superfície quente — piso frio no verão, cama alta e macia no resto do ano. Vale ler o guia de caminha para cachorro antes de comprar, porque o modelo com borda alta que agrada tantas raças pode ser justamente o que um cão de pelagem dupla rejeita por reter calor.

Resumindo

“Spitz alemão” não descreve o cão de colo que o Brasil aprendeu a chamar assim — descreve uma raça de cinco tamanhos, da qual a lulu da pomerânia é apenas o menor. Nas variedades média e grande, o projeto é o mesmo (cauda enrolada, orelha ereta, pelagem dupla, latido de aviso), mas a escala muda tudo na prática: mais pelo caindo na troca anual, latido que atravessa parede, e uma lista de riscos de saúde puxada por hiperparatireoidismo, displasia e epilepsia em vez dos problemas dentários e de traqueia do primo anão. Quem entra na raça sabendo qual variedade está levando para casa evita a surpresa mais cara: descobrir depois que o filhote de “spitz” ia chegar aos 18kg.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre spitz alemão e lulu da pomerânia?

Lulu da pomerânia é uma das variedades do spitz alemão, não uma raça separada. O padrão da FCI trata "spitz alemão" como uma raça só, dividida em cinco tamanhos: wolfsspitz (43 a 55cm), grossspitz (42 a 50cm), mittelspitz (30 a 40cm), kleinspitz (24 a 30cm) e zwergspitz (18 a 22cm) — este último é o que o Brasil chama de lulu da pomerânia e o mundo de língua inglesa chama de pomeranian. Ou seja: todo lulu é spitz alemão, mas nem todo spitz alemão é lulu. Como no Brasil quase só se criou a variedade anã, o nome do grupo acabou grudando nela.

Quanto pesa um spitz alemão adulto?

Depende inteiramente da variedade, e a diferença entre a menor e a maior chega a dez vezes. O zwergspitz (lulu) fica entre 1,9kg e 3,5kg; o kleinspitz entre 8kg e 10kg; o mittelspitz por volta de 11kg; o grossspitz entre 17kg e 18kg; e o wolfsspitz entre 15kg e 20kg. Quem procura filhote de "spitz alemão" sem especificar a variedade pode estar comprando um cão de colo ou um cão que vai encher o sofá — vale confirmar qual variedade o criador registra antes de qualquer outra conversa.

Keeshond e wolfsspitz são a mesma raça?

São o mesmo cão sob dois sistemas de registro diferentes. Para a FCI, o wolfsspitz é apenas a variedade maior do spitz alemão, com pelagem cinza-lobo obrigatória. Já o AKC americano e o Kennel Club britânico registram esse mesmo cão como raça independente, com o nome holandês "keeshond" — herança da época em que ele era o cão de barcaça dos rios da Holanda e virou símbolo de um partido político do século 18. A consequência prática é que pesquisa em site americano sobre "keeshond" e pesquisa em site alemão sobre "wolfsspitz" descrevem o mesmo animal.

Spitz alemão late muito?

Late, e isso é traço de função, não defeito de criação. O spitz alemão foi mantido por séculos como cão de guarda de propriedade rural — o trabalho dele era avisar o dono de qualquer movimento no terreno, não conduzir rebanho nem caçar. O resultado é um cão que reage com voz a campainha, portão, carro estacionando e passo no corredor. Nas variedades médias e grandes o latido é mais grave e alcança mais longe do que o do lulu, o que pesa bastante em apartamento com vizinho de parede. Dá para ensinar o comando de silêncio depois do aviso, mas eliminar o aviso em si é lutar contra a raça.

Spitz alemão solta muito pelo?

Solta muito, e num spitz de 18kg o volume é outra escala. A pelagem dupla passa por uma troca intensa uma a duas vezes por ano — o período que os criadores chamam de "blowing coat" —, em que o subpelo inteiro se desprende em tufos ao longo de duas a quatro semanas. Fora desse período, escovação de duas a três vezes por semana dá conta; durante a troca, é diária, com rastelo próprio para subpelo. Quem tem alergia respiratória ou pouca tolerância a pelo na casa deve considerar isso antes do temperamento, porque é o item que mais devolve cão dessa raça para o criador.

Este conteúdo é informativo e fala sobre cuidado e bem-estar animal, não substitui avaliação veterinária. Cada animal é único — se notar sinal de alerta, procure um veterinário.